| Lojistas do Centro Comercial Picoas Plaza fazem “greve” contra “degradação” do espaço |
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O braço-de-ferro entre os lojistas do Centro Comercial Picoas Plaza, em Lisboa, e a empresa proprietária do mesmo, a Chamartin Dolcevita, arrasta-se há mais de um ano e vai atingir um ponto alto na próxima segunda-feira. Em protesto contra o “estado de degradação” do espaço e como forma de pressionar os responsáveis pela sua gestão, a associação de lojistas do complexo apelou ao fecho dos estabelecimentos a partir das 15 horas do dia 15. “Contamos com a participação de 12 das 20 lojas que se mantêm abertas num total de 55”, diz Tiago Quelhas, presidente da associação e sócio de uma “clínica de saúde, estética e bem-estar” ali existente. À margem da iniciativa, explica, ficarão sobretudo os estabelecimentos de franchising e alguns integrados em grandes cadeias comerciais. A acção dos comerciantes ocorre na sequência da progressiva desactivação do centro e daquilo que dizem ser o abandono a que o grupo Chamartin o votou de há dois anos para cá. A situação levou já ao encerramento definitivo de mais de metade das lojas e deu origem a vários processos judiciais que se encontram pendentes em tribunal. Para além da inexistência ou da escassez de iniciativas promocionais, que contratualmente são da responsabilidade dos proprietários do espaço, os lojistas queixam-se de desinvestimento em matéria de segurança e suspeitam de que o objectivo da Chamartin seja o encerramento, a prazo, do centro comercial. “Ainda há dias assaltaram aqui a livraria e até a máquina de engraxar sapatos que ali estava foi roubada em pleno dia”, diz um dos comerciantes. “O número de lojas fechadas, rendas elevadas, promessas não cumpridas, a falta de iniciativas, os problemas das infra-estruturas, a falta de gestão e ausência dos responsáveis são apenas alguns dos pontos que motivam os lojistas a combater esta degradação generalizada”, lê-se num comunicado em que a associação apela à “compreensão e colaboração” dos clientes com o seu protesto. O anúncio desta acção foi feito hoje, através da afixação de um cartaz informativo nas montras de vários estabelecimentos. Além de outras razões de protesto, o texto fala em “ameaças e chantagem” da administração do centro comercial, “desprezo absoluto pelo cliente final” e “silêncio absoluto” face às reclamações dos comerciantes. O centro foi inaugurado em 2001 no gaveto das ruas Tomaz Ribeiro e Viriato, no interior de um empreendimento habitacional e de escritórios construído no local da antiga Garagem Militar. Apresentado como um espaço comercial e de lazer de qualidade, o centro tem vindo a ressentir-se de dificuldades que passam, nomeadamente, pela proximidade de quatro grandes espaços concorrentes: Imavis, Saldanha Residence, Atrium Saldanha e Monumental. Construído e gerido inicialmente pela empresa J. A. Santos Carvalho foi adquirido em 2006 pelo grupo Chamartin. Entretanto, na sequência do conflito que se tem vindo a avolumar com os lojistas, os novos proprietários correm agora o risco de se vir a defrontar com uma nova e inesperado processo judicial. “Para demonstrarem a sua total incompetência nem sequer registaram a marca Centro Comercial Picoas Plaza, coisa que a associação de lojistas fez, tornando-se assim a sua única proprietária. Por isso mesmo vamos pôr uma acção judicial contra a Chamartin por uso ilícito e indevido que uma marca que pertence em exclusivo à associação”, afirma Tiago Quelhas. Empresa desmente A administração da Chamartin nega que o centro esteja em progressiva degradação e garante, sem fundamentar, que a ocupação cresceu no segundo semestre de 2008. A empresa diz que “o Picoas Plaza é e continuará a ser um centro de referência” e que no ano passado investiu mais de 100 mil euros para “melhorar o conforto”. Em resposta enviada ao PÚBLICO adianta que “tem adoptado, desde sempre, uma postura de diálogo com os lojistas pelo que muito estranha a posição que agora estão a assumir”. O protesto agendado, afirma, tem por “único objectivo servir os interesses de dois ou três lojistas que se encontram em incumprimento contratual”. Num ofício ontem entregue aos lojistas, a administração do centro intimou-os à “remoção imediata” do cartaz afixado nas montras com as razões da “greve” de segunda-feira, alegando falta de autorização. Fonte: Jornal Público |



