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Lojistas do Picoas Plaza exigem demissão da administração PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Os lojistas do Centro Comercial Picoas Plaza exigiram hoje a demissão da administração, que acusam de gerir mal o espaço situado numa zona nobre de Lisboa, aplicando rendas elevadas e ignorando iniciativas de dinamização.

Hoje de manhã, num protesto simbólico, várias lojas estiveram encerradas e outras, mesmo de portas abertas, optaram por aderir à iniciativa exibindo na montra um cartaz com os motivos do descontentamento.

Dizem que 70% das lojas estão fechadas em consequência de uma gestão que classificam de "ruinosa", mas para a administração do centro comercial, a cargo do Grupo Chamartín-Dolce Vita, os protestos "não têm qualquer fundamento".

"A administração está a fazer tudo para manter a comercialização das lojas e os lojistas que cá estão", disse à agência Lusa o director do centro, Francisco Pimentão, que preferiu não gravar a entrevista.

"Temos tentado dinamizar o espaço e ter a colaboração de todos os lojistas, alguns infelizmente não tem sido possível", lamentou.

Apontando para a área de esplanadas, com um jardim com um espelho de água, o mesmo responsável frisa que basta olhar para o espaço para ver que a degradação apontada pelos lojistas "não corresponde à realidade".

Clientes é que são escassos e se a crise não ajuda, o tempo muito menos.

Numa manhã de chuva, igual a tantas outras neste inverno, apenas um ou outro cliente, sobretudo na área de restauração, "a âncora" deste centro, segundo o presidente da Associação de Lojistas e Amigos do Centro Comercial Picoas Plaza, Tiago Caras.

Os diferendos entre lojistas e administração resultaram já em "várias acções em tribunal, referiu.

A administração, por seu lado, alega que mais de metade das lojas está a funcionar e que tem pedido aos lojistas para apresentarem propostas de dinamização, sem que estas lhe tenham chegado.

Segundo os lojistas, a administração "boicota as iniciativas".
Relativamente aos preços das rendas, Francisco Pimentão acentua que se trata do centro de Lisboa e que são praticados "os valores mais baixos de toda a região".

Mas para Paulo Roque, proprietário de uma cafetaria, pagar dois mil euros por uma área de 20 metros quadrados, num lugar de pouco movimento, torna-se incomportável.

Tiago Caras considera que se a situação não mudar "até com renda zero é difícil manter a porta aberta" e que a solução é colocar a administração "na rua".

O lojista recorda que muitos colegas tiveram de desistir e classifica como "um paradoxo" ter de levar uma feira para dentro de um centro comercial para atrair pessoas.

O director alega que tem sido feito "um esforço comercial na reabertura lojas" e que a actual situação de crise "não é favorável", sublinhando que a associação "não é representativa do universo dos lojistas".

Fonte: O Jornal Económico
http://www.oje.pt/noticias/negocios/lojistas-do-picoas-plaza-exigem-demissao-da-administracao