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Lojistas abandonam Dolce Vita em crise PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

O Dolce Vita de Ovar vive momentos de crise. Inaugurado há pouco mais de ano e meio, com 74 lojas, o centro comercial, que continua a ser o único do género no concelho, já viu fechar 13 estabelecimentos e o cinema drive-in.

Ex-lojistas, que falam em prejuízos que alcançam os 250 mil euros, apontam o dedo à administração do shopping e à Chamartin Imobiliária, a proprietária do espaço. Dizem que foram criadas expectativas que nunca se confirmaram e que, depois, quando os negócios começaram a falhar, nunca mostraram abertura para renegociar as rendas.

Os ex-lojistas que falaram com o JN, sob anonimato por temerem prejudicar o andamento dos processos judiciais que têm pendentes com os responsáveis do centro comercial, explicaram que "tudo começou mal logo desde o início".

"Quando o agente comercial me abordou, disse-me que o shopping iria ter cinco salas de cinema, um drive-in que seria o único no país a funcionar de forma permanente, e ainda várias lojas do grupo Inditex, como a Zara, a Bershka, a Pull &Bear, entre outras. Nada disso se concretizou. Só existe uma sala de cinema com 50 lugares; o aparelho de projecção do drive-in avariou e nunca mais o puseram a funcionar e as tais lojas, que funcionariam como âncora, nunca apareceram, isto, depois de me terem dito que já estava tudo contratualizado com o grupo Inditex", contou uma comerciante que já abandonou aquele centro comercial.

A outro ex-lojista terá sido dito que poderia contar com um movimento diário de 10 mil pessoas, "o que nunca aconteceu, nem de perto, nem de longe". "Disseram-nos, ainda, que teríamos, no mínimo, um volume de negócios por dia de cerca de mil euros. Ora, nem nos melhores dias nós conseguimos chegar, sequer, a metade desse valor. E nós pagávamos uma renda de 4500 euros. Como é que era possível continuar?", criticou.

"Nós tentámos renegociar o valor das rendas, que era altíssimo, mas parece que a administração está apostada em deixar aquilo fechar de uma vez. Prova disso é que nenhuma das lojas que fechou reabriu com outro negócio", fez notar um comerciante.

O JN procurou obter resposta a tais acusações junto da administração do Dolce Vita, mas aquela não respondeu, em tempo útil, às questões levantadas.

Fonte: Jornal de Notícias
http://jn.sapo.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=1043270